FILOSOFIA E PRINCÍPIOS DIDÁTICO-PEDAGÓGICOS
DA INSTITUIÇÃO
BASES DA ORGANIZAÇÃO ESCOLAR
1. A EDUCAÇÃO
A educação libertadora propicia à pessoa
a consciência de que é agente da História, apropriando-se
dos conhecimentos acumulados, sendo capaz de compreender a realidade,
com senso crítico e democrático. É aquela que
dá condições para o ser humano libertar-se
da injustiça, da violência moral e física em
todos os contextos sociais. Valoriza as qualidades do convívio
coletivo, ajudando as comunidades a superar suas limitações
e a comprometer-se com as transformações sociais,
exercendo efetivamente a sua cidadania.
A educação parte, assim, de uma análise crítica
da realidade e traça metas para a sua transformação.
Em função disso, todo o processo de formação
da comunidade educativa acontecerá dentro de uma perspectiva
de realidade concreta, com uma prática pedagógica
voltada à educação plena, partindo do senso
comum para o conhecimento científico.
As principais características dessa educação
são: criticidade, que denuncia e anuncia; liberdade de ação
e reflexão; investigação científica;
participação ativa; diálogo e interação
entre os membros da comunidade educativa e, ainda, o respeito a
si próprio e ao outro.
A pedagogia que dá subsídios a uma escola que pretende
uma ação transformadora é aquela que cria novas
relações entre as pessoas, que provoca vivência
dos valores: formadora da consciência crítica, criativa,
inovadora de uma nova ordem social; personalizada que acredita na
pessoa como um sujeito da História; democrática, que
assume o processo de ensino-aprendizagem com uma metodologia participativa
de planejamento e avaliação. Esta pedagogia baseia-se
nos estudos dos conhecimentos atuais, produzidos e acumulados historicamente
pela pessoa, relacionando-os à realidade, propondo formas
de intervenção social para a transformação.
Neste contexto, o papel do professor é o de mediador das
interações entre os alunos, dos alunos com o conteúdo,
com o professor e com a cultura. O professor seria, assim, o coordenador
e co-participante do processo, desempenhando um papel de fundamental
importância, incentivando, testemunhando, liderando e propiciando
situações para que o educando seja sujeito do seu
próprio desenvolvimento.
Primando por um planejamento participativo e por metodologias
que envolvam a comunidade educativa na formação integral
da pessoa, enquanto ser individual e social, capaz de transformar
a sociedade, a escola democrática caracteriza-se por ser
aberta à participação da comunidade no processo
educativo.
Dessa forma, o Colégio Santa Cruz, de confissão
católica, é um espaço de humanização,
no qual as relações são democráticas,
com todos tendo direitos e deveres, sendo livres para escolherem
seus objetivos de vida e autonomia para tomar decisões fraternas
e solidárias como filhos do mesmo Pai. Vive-se a justiça,
valorizando a individualidade de cada um, a verdade como forma de
ser coerente consigo mesmo e com os outros, promovendo o bem comum,
favorecendo a vivência de valores morais e cristãos.
Enfatiza-se também a formação cultural como
meio de aprofundar o saber historicamente elaborado, propiciando
uma educação integral.
2. A PESSOA
A pessoa, enquanto ser histórico e social humaniza-se ao
conviver em sociedade e, ao mesmo tempo em que é influenciada
pela cultura da qual faz parte, modifica a realidade pela sua ação.
O ser humano precisa conscientizar-se de que, como um ser social,
faz parte da história e, por meio dele e por ele, ela acontece.
Conhece a realidade do mundo em que vive e os problemas existentes
na sociedade, apropria-se do conhecimento historicamente produzido,
é participativa, tem objetivo e ousa propor caminhos, soluções,
usando sua criticidade, criatividade e inteligência para desenvolver
projetos que visem ao bem comum. Realiza-se e humaniza-se.
O que motiva o ser humano a ser um agente de transformação
são os seus objetivos coerentes com a postura adotada diante
das relações sociais, assim como o entendimento do
contexto social no qual está inserida. A questão de
ser um agente de transformação está ligada
a uma realidade concreta e cujas mudanças partem de uma necessidade.
Na construção de uma sociedade justa faz-se necessário
à pessoa a compreensão da realidade, o conhecimento
histórico, a perspectiva de futuro, o senso crítico
e, principalmente, ser fraterna, livre e solidária.
Alguns valores que estão presentes nessa sociedade são:
a igualdade, que valoriza o ser humano enquanto ser criado à
imagem e semelhança de Deus, reconhecendo e respeitando os
direitos e deveres desta sociedade; a liberdade, que dá a
toda pessoa o livre arbítrio para escolher seus objetivos
de vida e autonomia para tomar decisões, respeitando o bem-comum;
a justiça, independente de sexo, raça, credo e idade,
favorecendo o crescimento pessoal e promovendo a partilha distributiva
de bens materiais e culturais; a solidariedade pela qual os seres
humanos têm consciência de serem irmãos, levando-os
a serem sensíveis às dificuldades dos outros; a honestidade,
por meio da qual vive a verdade consigo mesmo e com os outros.
3. A ESCOLA
A escola, como instituição social, deve possibilitar
o crescimento humano nas relações interpessoais, bem
como propiciar a apropriação do conhecimento elaborado,
tendo como referência a realidade do aluno. Neste contexto,
deve possibilitar ao aluno a aquisição de uma consciência
crítica que amplie a visão de mundo. Esta visão
deverá dar-lhe condições de uma leitura interpretativa
dos fatos sociais, das relações intra e interpessoais
e dos homens com a natureza.
4. ENCAMINHAMENTOS METODOLÓGICOS
Na sistematização de sua prática pedagógica,
o Colégio Santa Cruz busca, por meio do trabalho em diferentes
níveis, (Educação Infantil, Ensino Fundamental
e Ensino Médio), instrumentalizar o aluno de modo que este,
junto ao seu desenvolvimento integral, aprimore os conhecimentos
científicos.
Na Educação Infantil - os materiais são preparados
pelos professores, orientados pelo serviço de psicologia,
coordenação e orientação pedagógica.
No Ensino Fundamental e Ensino Médio - utiliza-se o material
didático Positivo e alguns livros de apoio, além dos
inúmeros recursos que ampliam os caminhos para o aprendizado
dos alunos.
Os conteúdos trabalhados nos diversos níveis não
são indiferentes ao conjunto da proposta educativa. Estes
são inseridos no cotidiano, fazendo da realidade, conteúdo,
no intuito de que o conhecimento adquirido seja apreendido de forma
científica e crítica, sobre os desequilíbrios
econômicos, sociais e culturais que existem entre os povos,
suas causas e suas graves conseqüências sob as condições
de vida.
5. A AVALIAÇÃO
A avaliação constitui um elemento fundamental e
forma uma unidade com a prática educativa, permitindo que
os professores, ao realizarem uma avaliação, participem
de uma tomada de decisão que é necessária à
orientação do processo de ensino e aprendizagem. Entende-se
que a avaliação deve contemplar tanto o processo de
ensino como o de aprendizagem. Assim sendo, a avaliação
diagnóstica permite ao professor determinar o ponto de partida
de seus alunos, a respeito de seus conhecimentos próprios,
o seu nível de motivação e seu estilo de aprendizagem,
a fim de situar cada aluno numa seqüência adequada de
aprendizagem e identificar as possíveis causas de dificuldades
de aprendizagem.
A avaliação contínua/formativa se realiza
durante o processo e se fundamenta para ir ajustando o ensino, de
modo a produzir e fazer acontecer uma real transformação
e evolução da aprendizagem por parte do aluno, para
que este tome consciência do seu processo de aprendizagem.
A avaliação comprova se o aluno apreendeu o objetivo
do conteúdo ensinado. Nesta avaliação devem
participar, de maneira direta, os alunos, tomando consciência
do processo realizado.
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