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2004

PROJETO PARA 7ª SÉRIE
PROFESSORA RESPONSÁVEL: ANDRÉIA CRISTINA MENEZES

"SER DIFERENTE É SER NORMAL"

 

1. INTRODUÇÃO

As expectativas da sociedade quanto à formação que a escola deve proporcionar »s novas gerações têm sido redefinidas. Hoje espera-se a promoção do desenvolvimento de competências para a aprendizagem durante toda a vida, no centro de uma formação abrangente que possibilite o desempenho pleno da cidadania.

Frente a essa demanda, em muitos países, e também no Brasil, passaram a ser elaboradas propostas curriculares para a educação básica, que incorporam novos temas de ensino para conteúdos tradicionais, e novos conteúdos de aprendizagem; temas e conteúdos com papel fundamental na formação dos jovens estudantes, como pessoas capazes de exercer plenamente seus direitos e deveres dentro de uma sociedade democrática.

Uma das principais funções da escola é a socialização de crianças. No convívio com colegas e professores, enquanto crescem, participam de redes de relações interpessoais distintas das relações familiares. Por meio dessas relações, as crianças constróem conhecimentos sobre a sociedade, seus valores e as normas e atitudes dela decorrentes.

Nessa perspectiva a escola deve compartilhar com seus alunos normas próprias da coletividade que freqüentam, de forma que eles aprendam a analisar o que sucede em sua micro sociedade, relacionando-se uns com os outros em distintas situações que podem ser competitivas, de conflito, de cooperação, de ajuda e de consolo com os outros, etc. Em outras palavras, participam de atividades das quais podem extrair conhecimento moral, descobrir, em sua relação com os companheiros de infância e juventude, a responsabilidade, a disciplina, a solidariedade, a autonomia: valores morais considerados positivos na sociedade democrática.

Hoje, falar sobre diferenças e integrar diferenças é conteúdo obrigatório »s salas de aula. Por isso, os planejamentos dos professores precisam contemplar, sempre que possível, situações de aprendizagem adequadas ao tratamento de temas relacionados a esses conceitos.

Quem nunca se sentiu estranho ou incomodado por sentir-se diferente?

Quem conseguiu ficar indiferente diante da diferença descoberta no outro ou no grupo? Quem não chegou a encontrar, até mesmo, diferença onde não existia? Quem nunca se sentiu em algum momento como o Patinho Feio?

Entender o que é diferença no espaço das relações humanas é importantíssimo para um relacionamento mais saudável e justo, pois a partir desse conceito podemos refletir sobre um dos grandes males do relacionamento humano: o preconceito.

O objetivo deste projeto é fazer com que o aluno perceba que "SER DIFERENTE É SER NORMAL" e que portanto, deve-se procurar viver da melhor forma possível com nossas diferenças, presentes no próprio "eu" ou no outro, diferenças essas que podem ser simples para uns e difíceis para outros, tais como o simples fato de ser bonito(a) demais; ser feio(a) demais; usar óculos e/ou aparelho nos dentes; ser negro(a) ou japonês(a); baixo(a) demais ou alto(a) demais; ser gordo(a) em excesso ou magro(a) em excesso; ser católico, evangélico, budista, judeu, ateu etc; ser um dependente químico; homossexual; ter HIV; ser "CDF" ou não; ser deficiente físico e outros...

Sob esse aspecto, o livro "Mano descobre a diferença" vem muito a calhar. A aventura vivida por Mano e seus companheiros pode ajudar o aluno adolescente no seu processo de auto conhecimento, a pensar seu relacionamento com o outro, a perceber a importância de administrar suas emoções, controlar impulsos, e a direcionar adequadamente seus sentimentos.

2. DISCIPLINAS E PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS

· Língua portuguesa -- professora Andréia
· História -- professora Josiane
· Filosofia -- professora Alvina
· Ensino religioso -- Maria Alice
· Redação -- professora Eliete
· Ciências -- professora Beth Coutinho
· Psicologia -- psicóloga Sônia
· Técnica em projetos pedagógicos -- Lucimara

3. ESTRATÉGIAS

· Leitura do livro Mano descobre a diferença, de Heloisa Prieto e Gilberto Dimenstein.
· Conversa organizada e mediada pela professora. (Língua Portuguesa)
· Discussão sobre os grandes nomes que por apresentarem alguma diferença, fizeram a diferença no Brasil e no Mundo. (História)
· Discussão sobre as nossas diferenças, encaradas, vistas e vividas na sociedade. (Filosofia)
· Discussão sobre as diferentes religiões. (Ensino Religioso)
· Desvendar a ciência nas diferenças. (Ciências)
· Pesquisa no Portal Educacional para descobrir as diferentes diferenças.
· Pesquisa em jornais e revistas.
· Conversa com a psicóloga do colégio.
· Palestra CVI (Centro de Vida Independente)
· Produção de texto. (Redação)
· Hora do conto. (Técnica de Projetos Pedagógicos)

AULAS NO LABORATÓRIO DE BIOLOGIA

Os alunos montaram cariótipos para descobrir a explicação genética da Síndrome de Down, de Klinefelter, Turner e de Edwards.

A participação, interesse e relação com o ambiente foram muito satisfatórias!

Prof. Bete Coutinho (Laboratório de Biologia)

Texto das alunas Isabela, Jéssica E., Juliana M., Maria Júlia e Patricia T.-7ªA

Na nossa sociedade existem diversos tipos de pessoas. Todas diferentes de cada um de nós. São pessoas negras, brancas, de diferentes sexos e mais do que nunca: únicas.

Conviver com essas diferenças têm, mais do que nunca, causado polêmicas. As pessoas não conseguem compreender que todos sermos diferentes, nunca haverá alguém no mundo que possa, realmente, pensar, agir ou entender você, com você mesmo.

Isso tem levado essas pessoas a discriminação e ao preconceito. Mas, antes de mais nada, o que é preconceito? Entende-se preconceito por um conceito antecipado, um pré julgamento sem conhecimentos de fatos ou idéias que, nem sempre, pode estar correto. Assim, esse pré - conceito faz com que pessoas normais sejam excluídas de uma sociedade por diferença que foi julgada sem conhecimento de fatos.

Qualquer um que ouvisse isso diria: "Mas é mesmo um absurdo!" como também poderia dizer: "Eu não tenho preconceito, mas não gosto de negro!". Agora nos perguntamos: será que não gostar de negro também não é preconceito? E não "ir com a cara" de um deficiente também não é preconceito?

Então, todos, sem exceção têm ou já tiveram um preconceito para com alguém da sociedade. Muitas vezes, não percebemos, mas o preconceito já está presente em nosso dia- a- dia: são expressões populares como: "coisa de nego!", "gordo preguiçoso". Será que todo negro é mal- caráter? Os brancos também não podem ser mal- caráters? E os gordos, sempre serão preguiçosos? Se todos somos diferentes, por que excluímos um deficiente ou uma pessoa de outra religião?

Esse preconceito têm conseqüências gravíssimas. A Segunda Guerra Mundial teve como uma das suas causas o "não saber reconhecer as diferenças", seis milhões de judeus foram mortos por serem diferentes dos alemães.

Tudo isso nos leva a pensar numa forma de aceitar as diferenças em nossa sociedade. Mas como? Tudo isso se inicia ao reconhecermos que todos somos diferentes e que não devemos esperar que outras pessoas sintam o que sintimos e ajam como agimos, também temos que aceitar as nossas próprias diferenças como normais. Assim começamos a perceber que não é difícil conviver com o diferente.

O preconceito não é só racial. É sexual, religioso, social, cultural e contra as nacionalidades. Só damos importância quando o preconceito fere fisicamente as pessoas, como quando se mata ou agride, mas ferir não é só com armas, é com palavras, gestos, ações. A todo o momento somos feridos e ferimos. Segundo pesquisas, a maioria das pessoas já sofreu algum tipo de preconceito, quase sempre racial e social, e normalmente, depois as pessoas percebem, que não é pela diferença que a pessoa é mal- caráter, e a aceitam na sociedade. Para que, então, persistir no erro?

Acredito que é porque elas próprias se consideram iguais a todos. "Sou normal, igual a qualquer um.", diz Irene, 42 anos. Então se todos somos normais onde se encontra "a diferença" ? "A diferença está entre as idades", diz Luís, 36 anos. Falta conscientização popular! »s vezes demonstramos sem perceber esse preconceito, pois ele já se torna normal e constante em nosso dia- a- dia.

Com o intuito de fazermos perceber essa diferença e as questões de cidadania e combater o preconceito, nos foi apresentado o livro: "Mano descobre a diferença". A leitura do livro nos fez levantar questões sobre o nosso papel de cidadão em aceitar as diferenças da sociedade e conscientizar as pessoas que não as aceitam. Nos perguntamos se diferença estava ligada ao preconceito e chegamos a conclusão que a causa do preconceito é a diferença, mas que nem toda a diferença leva ao preconceito.

Percebemos que diferença pode causar inveja, pois bonito só é bonito por ser diferente e o que fazer com essa diferença é tarefa de cada um de nós. Usando como exemplos os textos citados no livro é possível comprovar que o que fazemos com a diferença pode nos levar a diversos resultados:

» O patinho feio se excluiu por ser diferente e por isso não percebeu que sua diferença, antes feia, acabaria por ser bela: lindo cisne.
» A águia que pensava ser galinha aceitou sua diferença, mas não buscou a razão dela e sonhava ser o que já era: uma águia.
» D'Artagnan (do livro "Os três mosqueteiros") aceitou a sua diferença e a usou de forma privilegiada por lutar diferente dos outros, era o melhor lutador, pois ninguém sabia prever seus movimentos.

Assim podemos concluir que o que fazemos com nossa diferença é de nossa escolha e aceitá-las e utilizá-la de forma que nos ajude, quase sempre é o melhor caminho.

Devemos lembrar que o simples fato de não pesquisar sobre a diferença dos outros ou deixar de aprender com a diferença deles é preconceito, um exemplo bem claro é nós, pessoas "normais", não sabermos a língua do surdos ou a escrita dos cegos. Eles fazem o possível para entender nossa linguagem e nós nem conhecemos o alfabeto da linguagem deles.

Há pessoas que fingem ter "diferenças" para se dar bem ganhando dinheiro, como pessoas "normais" que fingem ser surdas pedindo esmola na ruas. Isso é um absurdo, essas pessoas não percebem que estão brincando com coisa séria. Sendo mo diferente normal podemos aceitá-los e tratá-los como pessoas comuns, pois realmente são comuns.

Compreender e aceitar as diferenças é mais do que nunca, questão de cidadania, de ética, de consciência e de sociedade.

AULAS NO LABORATÓRIO DE BIOLOGIA

Os alunos montaram cariótipos para descobrir a explicação genética da Síndrome de Down, de Klinefelter, Turner e de Edwards.

A participação, interesse e relação com o ambiente foram muito satisfatórias!

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